Estudio Dezenove
Exposições

EXPOSIÇÕES ANTERIORES - CASA-TEMPO | APARIÇÃO E DESAPARIÇÃO

O tempo é um ambiente que revela as mais profundas emoções. Dentro dele, podemos experimentar histórias de vidas passadas que tocam a pele e aguçam o olhar para o longe. A pupila, quando visualiza aquilo que está fora dela, impulsiona o corpo para frente em direção ao longínquo, fazendo desse encontro capítulos de histórias vivenciais. Na poética de Thiago Modesto, os corpos esculpidos na madeira e imortalizados na gravura são a construção desse ambiente-tempo – ou casa-tempo – que convida o espectador a entrar com o corpo para manchar a existência com os dedos que tocam o resto de cores que caem dos pedaços das paredes, que se desmoronam com o chão rachado e sem vida.

Num gesto de quem prepara uma oferenda para aqueles que se foram, mas que iluminam e dão proteção aos que seguem pisando no chão da vida no lado de cá, a exposição é um olhar cirúrgico que atravessa a carcaça do corpo e a flacidez da pele, tal como o manejo da goiva na superfície da madeira, que remete os sulcos de uma pele velha, marcada pelo sol, quente durante o manejo da foice afiada; conduzida por uma emoção confusa e dramática de alguém que é fisgado pela aparição de um vulto, um rosto que tenta superar as gotas de suor e sangue que consomem a existência na atividade rural e que, no fim da labuta, traz o desgaste e a desaparição da identidade.

Para perceber as movimentações da agulha – que o artista usa para fechar as feridas abertas no ventre das figuras que protagonizam esse momento do seu fazer artístico – é preciso que os visitantes entrem e habitem a casa-tempo. De dentro, a condição frágil dos personagens é percebida de perto. O longe torna-se uma força penetrante que guia o observador até o espelho. Diante dele, as imagens esculpidas são reflexos de Brasis marcados por aparições e desaparições.

Messias Silva de OliveiraRio, março de 2024.