Estudio Dezenove

Núcleo Magliani

Cronologia - Trajetória de Magliani

1946

Magliani criança. Acervo Núcleo Magliani

Em 25 de janeiro de 1946, nasce em Pelotas Maria Lídia Magliani, que viria a se tornar uma das mais importantes artistas gaúchas de sua geração. Sua vida foi marcada pela arte, pela experimentação e por um olhar singular sobre o cotidiano.

1950

A família muda-se para Porto Alegre e passa a residir na Rua Felipe dos Passos, nº 99, no bairro Sarandi. É também nesse período que Maria Lídia inicia seus estudos no Ginásio Estadual Cândido José de Godoy.

“Eu comecei a pintar com 9 anos de idade. Antes disso, no entanto, eu já desenhava, como todas as crianças desenham. Só acontece que eu era uma dessas crianças que não parou de desenhar. Aliás, não imagino a minha vida sem o desenho. Quando eu tinha 9 anos, meu pai levou uma revista para casa, onde havia reproduções de Van Gogh. Eu me entusiasmei na hora, de tal maneira que ele me deu logo uma caixa com tintas. Essa caixa eu tenho até hoje. Naquele momento resolvi ser pintora.”

Magliani, à esquerda da foto, sua mãe, seu pai, e seus irmãos, c.1965. Acervo Núcleo Magliani

1963

Magliani aos 17 anos. Acervo Núcleo Magliani

Ingressa no Curso de Artes Plásticas da Escola de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante a formação, contou com o auxílio financeiro da família de João Giugliani Filho.

É também nesse período que começa a experimentar seus próprios materiais: com a ajuda do pai, monta suas primeiras telas utilizando sacos de aniagem, dando início às suas experiências práticas com a pintura.

1964

Exposição coletiva

Centro Acadêmico Tasso Corrêa, Escola de Artes da UFRGS, Porto Alegre.

1965

Curso intensivo de arte na educação.

Exposição coletiva

II Salão de Alunos da Escola de Artes da UFRGS. Menção honrosa em pintura.

1966

Conclui sua formação em Pintura pela Escola de Artes da UFRGS. Entre as primeiras mulheres negras a se formarem em Artes na instituição, Maria Lídia Magliani começa a construir, a partir daí, uma trajetória dedicada à produção artística.

Antes dela, a porto-alegrense Beatriz Araújo Moreira da Silva havia se formado em Pintura, em 1964. Magliani, porém, destacou-se por fazer da arte o centro de sua trajetória profissional, consolidando uma produção marcada por uma linguagem própria.

Exposição individual

Galeria Espaço, Porto Alegre, incentivada por seu professor Ado Malagoli.

Exposição coletiva

I Salão de Arte Universitária do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Magliani ao lado de uma de suas pinturas. Correio do Povo, Porto Alegre, 4 maio 1966. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS
Magliani, c.1966. Acervo Núcleo Magliani

Suas composições, com luas mórbidas a se destacarem sobre fundos quase negros e riscados de frases poéticas, apresentam estranhas e esguias figuras humanas reduzidas à pura expressão formal. Possuindo uma visão própria da realidade sensível, renuncia aos efeitos superficiais, à atração fácil do colorido pujante e decorativo e difunde em suas obras certo encanto espiritual de transcendente simplicidade.

Ado Malagoli, 1966

1967

Realiza pós-graduação em Pintura com Ado Malagoli, no Instituto de Artes da UFRGS. Paralelamente, faz Formação Pedagógica pela Faculdade de Filosofia e realiza estágio no Colégio de Aplicação, ambos da UFRGS.

É nesse período que estabelece amizade com o escritor Caio Fernando Abreu, a quem dedica, em 28/12/1967, o poema Cavalo branco na escuridão:

Madrugada, luz de vidro, Rosto esperado, esperando. A lua de vidro é verde. E me queima. Calo e volto. No espaço me desenho: cavalo branco na escuridão.

Magliani, 1967

Trecho do poema de Magliani dedicado a Caio Fernando Abreu, Cavalo branco na escuridão, 28/11/1967. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

Até o ano seguinte, trabalha como assistente da diretora da Galeria Leopoldina. Também produz capas para programas teatrais até 1969.

Recebe o Troféu Destaque Feminino em Artes, concedido pela TV Difusora, em Porto Alegre.

Exposições coletivas

II Salão de Arte Universitária do Rio Grande do Sul, Galeria Sete Povos, Porto Alegre.

3° Salão Cidade de Porto Alegre, realizado pela Prefeitura de Porto Alegre com a colaboração da Escola de Artes da UFRGS.

III Salão de Arte Contemporânea de Campinas, Museu de Arte Contemporânea José Pancetti, SP.

"Supermercado de Artes", Galeria Leopoldina, Porto Alegre.

“Festival de Artes”, Galeria Sete Povos, Porto Alegre.

Exposição individual

Folder exposto na Galeria Leopoldina, em Porto Alegre, 1967.

Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

Magliani e Caio Fernando Abreu em 1970. Jornal da Universidade, Porto Alegre, jun. 1999, p. 8, Cultura. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

1968

“Mudou muito, em um ano, o caráter da minha pintura. Já não vejo o lirismo que me atingiu em outro tempo. Agora sou uma delatora do desencontro. Desencontro sob todas as formas, do homem com o homem, do homem com seu mundo, dominado pela máquina. A denúncia da ausência de comunicação é o meu tema atual.”

Magliani, 1968.

Exposições coletivas

Artistas gaúchos, Leme Palace Hotel, Rio de Janeiro.

Coletiva internacional, Chelsea Art Gallery, São Paulo.

1969

Atua na peça As criadas, de Jean Genet, dirigida por Miguel Grant, em uma produção do Aldeia 2, teatro-garagem que marcou a cena cultural da Rua Santo Antônio, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. No elenco estão Maria de Lourdes Anagnostopoulos, Araci Esteves e Simone Fontoura. Magliani participa nos papéis do coro, ao lado do bailarino Rubens Barbot, dos percussionistas Giba Giba e Chaplin e de Renato Rosa, como “Corifeu”.

Ao lado de Francisco Aron, com quem manteve um longo relacionamento, cria o Espaço de Arte, instalado no corredor do Teatro Aldeia 2. No local, passa a expor pinturas e objetos artesanais.

Também amplia sua atuação para a ilustração: ilustra o conto O mar mais longe que eu vejo, de Caio Fernando Abreu, publicado no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. No mesmo veículo, ilustra posteriormente outros contos do escritor.

Paralelamente, fez um curso de litografia no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e participou de uma exposição coletiva de alunos.

“O primeiro trabalho me trouxe à tona três figuras inesquecíveis de minha juventude, os inseparáveis Renato Rosa, Chico Aron e Magliani, que constituíam uma unidade em sua diversidade, que me intrigava e atraía. Representavam para mim um mundo mágico, um pouco misterioso e perigoso... Fico lembrando daquela figurinha que conheci há vinte anos, magra como um palito, toda de preto, estranhíssima. Figurinha que assustava, porque nunca se sabia o que esperar dela, se aprovação entusiasmada ou crítica feroz. Percebia-se no seu jeito toda a negação do mundo burguês bem comportado.”

Maria Amélia Bulhões, 1987

Exposições coletivas

4° Salão Cidade de Porto Alegre.

"Venda pública de arte", Galeria Sete Povos, Porto Alegre.

Feira de Arte Contemporânea, Pelotas, RS.

"I Liquidação de Arte", Galeria Leopoldina, Porto Alegre.

Mostra ligada ao XV Congresso de Oftalmologia, Galeria Leopoldina, Porto Alegre.

"Momento um", Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia da UFRGS, Porto Alegre.

Pintores gaúchos, Galeria Pancetti, Porto Alegre.

Renato Gianuca. É a arte uma profissão? Correio do Povo, Porto Alegre, 9 nov. 1968, Caderno de Sábado, p. 15. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

Maria Amélia Bulhões. Sem título, com palavras. Pra Ver, Porto Alegre, abr. 1987. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

1970

Trabalha como cenógrafa e figurinista de diversas montagens teatrais até o ano de 1979.

Se torna professora de Artes Plásticas, lecionando para crianças de 4 a 6 anos em escola estadual de Porto Alegre.

Exposição coletiva

Salão Feira de Arte, Banco de Boston, Porto Alegre.

Cenário, com Elton Manganelli, para a peça Não saia da faixa de segurança, de Carlos Carvalho e Francisco Aron, no Teatro Aldeia 2, em Porto Alegre. Espetáculo proibido pela censura estadual e liberado pela censura federal, em 1972. Não foi montado.

Protagoniza a montagem de O negrinho do pastoreio, adaptada do conto de Simões Lopes Neto, direção de Delmar Mancuso, produção de Fernando Strehlau e elenco de 24 atores e músicos, entre eles, Déa Mancuso, Margarida Linera, Raul Machado e Ademir Gerry. Theatro São Pedro, Porto Alegre.

Atua na peça A Celestina, de Fernando de Rojas, que estreia no Círculo Social Israelita de Porto Alegre. No elenco, Luiz Francisco Fabretti, Maria Luiza Martini, Arine Ibias, Cecília Niesenblat, Luis Carlos Magalhães, Raul Machado e Vaniá Brown; musicalização de Aroldo Hugo e produção e direção de Luís Artur Nunes.

A peça de Fernando de Rojas, adaptada por Luís Artur Nunes, é toda movimento. Magliani, uma das melhores intérpretes de "A Celestina". Surpreende pelo talento, sensibilidade e riqueza de sua expressão corporal. […] Teatro, para ela, é um meio de crescer na pintura. Assim como o artesanato de "Pois é". Não gosta da especialização. Como ela, é um pouco de cada coisa. "Tudo isso para aprender a pintar. Sempre é um pincel a mais."

Folha da Manhã, 1970

“Me parece que, no fundo, o erro é que nós sempre estamos querendo levar a arte ao povo, quando na verdade o povo é que deveria chegar até a arte. Com isso eu quero dizer que vai ser só depois que a gente criar toda uma educação de base, desde criancinha, a respeito do valor e do significado da arte, que tudo o que se fizer neste campo terá alguma possibilidade de germinar. Senão, eu desconfio que sempre vamos estar começando tudo de novo a cada momento…”

Magliani, 1974

1971

Um de seus retratos, realizado pelo fotógrafo Luiz Carlos Felizardo, é publicado na segunda edição de Pato Macho, jornal alternativo de Porto Alegre, editado por Luis Fernando Veríssimo.

No teatro, atua em “O baile dos ladrões”, de Jean Anouilh, produzido pelo Grupo de Teatro Província e dirigido por Carlos Carvalho, no Teatro de Câmara, em Porto Alegre. Ao lado de Elton Manganelli, cria os cenários e figurinos do espetáculo, que conta também com Suzana Saldanha, Luís Artur Nunes e outros nomes no elenco.

Participa ainda da comissão julgadora do 4º Salão do Centro Acadêmico Tasso Corrêa, realizado na Pinacoteca do Instituto de Artes da UFRGS.

Exposições individuais

Salão Feira de Arte, Banco de Boston, Porto Alegre.

Exposições coletivas

Cyclo Galeria de Arte, Porto Alegre.

Mostra de mini-trabalhos, Esphera Galeria de Arte, Porto Alegre.

Antonio Hohlfeldt. Magliani, um trabalho consciente que se define no condicional atual. Correio do Povo, Porto Alegre, 7 jun. 1974. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

“A Celestina”, uma tela em que Magliani pinta por instinto. Folha da Manhã, Porto Alegre, 23 abr. 1970, p. 33. Acervo Luís Artur Nunes.

Magliani fotografada por Luiz Carlos Felizardo, 1970. Coleção do artista.

1972

Passa a trabalhar como diagramadora e ilustradora da Revista ZH, do jornal Zero Hora, em Porto Alegre, onde permanece até 1974. Nesse período, também realiza trabalhos de ilustração para o jornal Diário de Notícias.

Ilustra a capa da Revista ZH, do jornal Zero Hora, em uma edição que dedica sete páginas aos 277 anos da morte de Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre.

No teatro, interpreta Tirésias, o adivinho cego de Antígona, de Sófocles, em montagem dirigida por Ivo Bender na loja Rosacruz de Porto Alegre. Divide o elenco com Caio Fernando Abreu, Romanita Disconzi, Vaniá Brown, Alba Lunardon, entre outros.

“A ideia era compor o adivinho como um vidente de candomblé: Magliani aceitou a incumbência e logo percebi o acerto da escolha. A peça foi encenada sobre um longo tapete vermelho, no espaço sagrado de um templo rosa cruz. Magliani, como atriz, era intuitiva e muito disciplinada. Sua figura e interpretação foram os momentos mais impactante do espetáculo.”

Ivo Bender, 2013

Atua também na peça O auto do pastorzinho e seu rebanho, de Ivo Bender, com direção de Irene Brietzke, apresentada no Paço Municipal de Porto Alegre. Integra o elenco ao lado de Araci Esteves, Cecília Niesenblat, Graça Nunes e Maria Lucia Raymundo.

Exposições coletivas

Artistas gaúchos no 6° Festival de Inverno de Ouro Preto, MG.

“I Expo-Arte Universitária”, PUCRS, Porto Alegre. Participa como artista convidada.

"Poemas ilustrados", Ponto de Artes, Porto Alegre.

"Arte Contemporânea", Escola Experimental D. Diogo de Souza, Porto Alegre.

Teniza Spinelli. Magliani: a arte da ilustração. Usina do Porto, Porto Alegre, nov. 1999, p. 8. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

Catálogo da exposição "A Solidão do Corpo", Paço Municipal de Porto Alegre, junho de 2013.

Magliani, à direita da foto, na montagem de Antígona, 1972. Acervo Romanita Disconzi

“Vejo [a ilustração] como uma síntese do texto, do conteúdo, mais a opinião do próprio ilustrador. Quanto a isso não abro mão. O ilustrador não é um executor da ideia alheia. A ilustração não existe apenas para preencher um vazio, como elemento gráfico, conforme uma determinada corrente pensa. Ou para equilibrar a página sem ter nada a ver com o texto, com o tema tratado. No jornal, quando um editor tinha uma ideia pré-estabelecida para a ilustração, eu dizia: se você já sabe o que quer, pegue o lápis e faça você mesmo.”

Magliani, 1999

1973

Atua ao lado de Sandra Dani e do elenco na montagem de “Ópera dos três vinténs", de Bertolt Brecht, com direção de Luiz Paulo Vasconcellos, no Clube de Cultura, em Porto Alegre.

Assina o cenário de Alzira Power, de Antônio Bivar, com direção de Paulo Albuquerque, no Teatro de Câmara, em Porto Alegre.

Também cria o cenário e os figurinos de “Calígula”, de Albert Camus, com direção de Miguel Grant, no Teatro de Arena, em Porto Alegre.

Exposições coletivas

Inauguração da Galeria Guignard, Hotel Plaza São Rafael, Porto Alegre.

Mostra de ex-alunos do Instituto de Artes da UFRGS, organização do Centro Acadêmico Tasso Corrêa, Galeria de Arte Universitária, Porto Alegre.

“Poemas ilustrados”, Galeria Ponto de Arte, Porto Alegre.

“Três pintores negros”, com J. Altair e Paulo Chimendes, Galeria de Arte do Teatro de Câmara, Porto Alegre. Exposição organizada pelo Grupo Palmares de Porto Alegre em homenagem ao aniversário da morte de Zumbi.

Retrato de Magliani. Folha da Tarde, Porto Alegre, 18 set. 1973. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

1974

Passa a trabalhar como ilustradora e diagramadora do jornal Folha da Manhã, em Porto Alegre, onde permanece até 1979. Durante esse período, faz amizades na redação, entre elas Mariza Scopel, Léo Tavejnhansky, Rosvita Laux, Eduardo San Martin, Maria da Graça Guindani e Valdir Zwetsch.

Integra a equipe supervisionada por Vaniá Brown na Tenda da Cultura, projeto da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Porto Alegre voltado ao ensino de pintura para populações em situação de maior marginalização.

No teatro, cria o cenário e os figurinos de “Aventuras de um diabo malandro", no Teatro de Arena, em Porto Alegre, e assina o cenário de "A noite dos assassinos", de Roma Mahieu, no Teatro de Câmara.

Aperfeiçoa sua formação em litografia em curso com Danúbio Gonçalves, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.

Exposição conjunta

“Mostra a dois”, de Magliani e Roseane Silva, Galeria Gerdau, Porto Alegre.

Teniza Spinelli. Pinturas de Magliani na Gerdau, Correio do Povo, Porto Alegre, 1974. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

“Seu trabalho anterior, tantas vezes lírico, complementado por frases poéticas, dá lugar agora, em sua maturidade, a uma intensa crítica social, focalizando uma das situações mais angustiantes da vida do homem contemporâneo – a falta de tempo, a pressa, a correria sem sentido que traz consigo a alienação das coisas essenciais da vida.”

Teniza Spinelli, 1974

1975

Cria o cenário para “Em palpos de aranha”, show de Giba Giba e Wanderley Falkenberg, apresentado no Teatro do Círculo Social Israelita, em Porto Alegre.

É responsável pela capa, planejamento gráfico e ilustrações do livro independente Há margem, com planejamento editorial de Licínio de Azevedo, Sérgio Caparelli e Eduardo San Martin, publicado pela Lume Editora, em Porto Alegre.

Também ilustra a capa de Danças e andanças da tradição gaúcha, de Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, publicado pela Editora Garatuja.

Ilustra ainda o conto de Sérgio Caparelli, “Memórias de Teotônio”, o segundo da lista, publicado na antologia Teia, pela Lume Editora, em Porto Alegre.

Exposições coletivas

Mostra de reinauguração da Galeria Sete Povos, Porto Alegre

Mostra de inauguração da Galeria Eucatexpo, Porto Alegre.

“Mini-trabalhos”, Galeria do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Porto Alegre.

Capa ilustrada por Magliani, 1975.
Ilustração para o jornal Folha da Manhã, Porto Alegre, década de 1970. Acervo Omar L. de Barros Filho

1976

Participa de uma das primeiras reuniões de artistas que, posteriormente, dariam origem ao Grupo Nervo Óptico, em Porto Alegre. Os encontros eram voltados à discussão e à produção de arte contemporânea. Magliani, no entanto, não chega a integrar o grupo, que encerra suas atividades em 1978.

No teatro, cria o cenário para O jogo da caça ao pássaro, apresentado no Teatro de Câmara, em Porto Alegre.

Na área editorial, assina a capa e as ilustrações de Andrômeda, de Sérgio Caparelli, publicado pela Editora Movimento – SEC-RS. Também realiza a ilustração da capa de A história do demônio, de Fernando G. Sampaio, pela Editora Garatuja, e da primeira edição da Revista Paralelo, em Porto Alegre.

Exposição coletiva

"A figura humana", Galeria de Arte do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Porto Alegre.

Angélica de Moraes. Obra crítica chocou público acostumado à submissão do artista plástico. Folha da Manhã, Porto Alegre, 20 maio 1976. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

Exposição individual

"Anotações para uma história", pinturas e colagens no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, ainda na sua sede provisória na Av. Senador Salgado Filho, sob direção de Luiz Inácio Medeiros, Porto Alegre. Magliani doa, ao museu, o óleo Anotações para uma estória – Passantes (1976) e, nos anos seguintes, duas pinturas e dois desenhos. Até fevereiro de 2022, o acervo contará com 16 obras de Maria Lídia Magliani, sendo a coleção pública mais representativa de seu trabalho.

Capa ilustrada por Magliani, 1976. Acervo Juarez Fonseca
Anotações para uma estória: personagem, 1976. Óleo e colagem sobre aglomerado de madeira 60 x 50 cm. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo - Instituto de Artes - UFRGS

"Não sei porque as pessoas se assustam tanto com a ficção. A realidade é muito pior". Esta observação é da pintora Magliani. Sua exposição no Museu de Arte do Rio Grande do Sul é um corte irônico e cruel de uma sociedade onde o mecanismo do poder esmaga o cotidiano e o individual. É a representação plástica de todo um contexto repressivo que as pessoas sofrem, mas não querem admitir conscientemente que sofrem. Então se chocam com o que veem pintado nas telas, esquecendo que a realidade supera a representação.”

Angélica de Moraes, 1976

1977

Realiza ilustrações para as revistas Cultura Contemporânea e Paralelo, em Porto Alegre.

Ilustra o conto Pântano do sul dia de sol, de Mariza Scopel, publicado no livro “Vício da palavra", antologia que reúne novos autores, entre eles Valdir Zwetsch, Caio Fernando Abreu, Nei Duclós e Eduardo San Martin. A obra é publicada pelas Edições Cooperativas Garnizé, em São Paulo.

Exposição individual

Galeria de Arte do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Porto Alegre.

“Neste tema das mulheres faço questão do volume, quero que as figuras saiam de dentro da tela e sufoquem, em gordura, o espectador.”

Magliani, 1977

Exposições coletivas

Galeria Kastrup, Porto Alegre.

I Salão de Desenho do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Recebe o primeiro prêmio com desenho da série Ela.

IV Salão Nacional de Artes Plásticas da Caixego. Prêmio Aquisição em Pintura com obra da série Ela, que passa a integrar o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Goiás.

Luiz Carlos Lisboa. Magliani inaugura individual. Zero Hora, Porto Alegre, 5 set. 1977. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

Trapos velhos, fios, bugigangas, horas de lazer, muita imaginação e se faz uma roupa bem criativa. Folha da Tarde, Porto Alegre, 26 fev. 1977, p. 26. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

“Quanto a mim, invento tudo, não aceito a padronização. Meus cabelos estão na moda vassoura, porque padronizaram, industrializaram o black power. Minha maquilagem eu mesma crio. Não faço as unhas, porque mexo com tintas e ácidos. [...] Gosto de pensar que sou um quadro e, então, às vezes, me repinto de novo.”

Folha da Tarde, 1977
Magliani ao lado de uma de suas pinturas. Correio do Povo, Porto Alegre, 4 set. 1977. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

1978

Realiza ilustrações para o jornal Versus, de São Paulo, periódico que aborda os regimes autoritários na América Latina por meio de diferentes linguagens, como ficção, quadrinhos, pintura e poesia.

Colabora com ilustrações para a primeira edição da revista Tição, publicação da imprensa alternativa de Porto Alegre voltada, naquele período, ao enfrentamento do racismo no Rio Grande do Sul.

Publica uma carta na edição nº 4 de Lampião da Esquina, jornal que discutia temas como repressão, liberdade e direitos de homens gays, travestis, lésbicas, mulheres, pessoas negras e povos originários. Na carta, Magliani relata experiências de preconceito vivenciadas no Sul do país, especialmente aquelas relacionadas às pessoas hoje identificadas como LGBTQI+.

No Rio de Janeiro, participa do Projeto Arco-Íris, Funarte.

Exposição conjunta

Magliani e João Carlos Henz, Galeria Eucatexpo, Brasília, DF.

Carta de Magliani publicada no jornal Lampião da Esquina, n. 4, ago. 1978, p. 17.

À Deriva, crônica de Caio Fernando Abreu p/ Jornal Folha da Manhã 26-12-77. Desenho original.

“O gueto dentro do gueto? Pressinto, em algumas entrelinhas, uma certa tendência em discriminar uma parcela que talvez seja a mais necessitada de atenção e a mais alijada, inclusive social, cultural e economicamente, a que o Sr. Ferreira chama de 'bichórdia' de uma forma tão cruelmente pejorativa. Não creio que o jornal assuma esse tipo de 'luta de classes', porque estaria, no meu entender, anulando boa parte do esforço de acordar o homo brasileiro.”

Magliani, 1978

1979

Em 28 de maio, falece seu pai, Antonio Magliani.

No mesmo período, cria os painéis cenográficos para o espetáculo “A libertação do diretor-presidente”, com texto e direção de Julio Zanotta Vieira e produção de Catulo Parra, apresentado no Teatro Renascença, em Porto Alegre. As três pinturas que compunham o cenário passam a integrar o acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS).

“Chega de dizer que Magliani é a artista do protesto, do pessimismo, do áspero. O cúmulo do comodismo e da covardia é fechar alguém, rotular para poder se relacionar com ele. No caso de Magliani estereotipar é bom para olhar suas figuras sem abater-se. Nela a identificação é perigosa. Implica em admitir certas falhas essenciais, que repetimos a cada dia por uma estrutura viciosa.”

Zero Hora, 1979

Exposição individual

“Magliani: Brinquedo de armar”, Galeria de Arte Independência, Porto Alegre.

Exposições coletivas

"Figuração referencial", XI Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte, Museu de Arte da Pampulha.

Artistas gaúchos, texto de apresentação de Jacob Klintowitz, saguão do Banco de Boston, São Paulo.

Artistas gaúchos, Washington, EUA.

Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Participa com três pinturas a óleo da série Brinquedos de armar, concebidas como um tríptico.

Brinquedos de armar, nova série de Magliani. Zero Hora, Porto Alegre, 15 maio 1979. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

1980

Em fevereiro, transfere-se para São Paulo, onde trabalha como ilustradora do Folhetim, suplemento dominical de cultura do jornal Folha de S.Paulo, até o final de 1982.

Atua temporariamente na montagem carioca de “O senhor Galindez”, de Eduardo Pavlovsky, espetáculo porto-alegrense dirigido por Paulo Albuquerque, com assistência de Nyrce Levin.

“Estar no palco me trouxe uma nova maneira de perceber o espaço que passou a fazer parte do espaço na pintura.”

Magliani, 2010

Realiza, ainda, ilustrações em xilogravura para O círculo do suicida, de Eduardo San Martin, publicado no ano seguinte pela Editora Margem, em Porto Alegre.

Exposição individual

Spazio Pirandello, São Paulo. Criado por Antonio Maschio e Wladimir Soares, o misto de bar cult e restaurante era muito badalado na época. Magliani expõe no local em novembro, com ótima performance nas vendas.

“Passei os últimos três anos trabalhando lá [em São Paulo] e aqui. Tenho muitos amigos, não é uma coisa suicida. Há a possibilidade de trabalhar com ilustração que eu gosto muito. Mas não quero ficar plantada em São Paulo. Aí é a mesma coisa que ficar aqui. [...] Quero me dedicar mais à minha pintura que precisa cada vez mais de concentração e não ficar me dispersando num emprego.”

Magliani, 1980

Exposição coletiva

Panorama da Arte Atual Brasileira – Desenho e Gravura, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Participa com três desenhos da série Brinquedo de armar, os quais doa ao museu, em 1995.

Michele Rolim. Lutar para não ceder. Jornal do Comércio, Porto Alegre, 10 dez. 2010.

Magliani abandona Porto Alegre "para não estagnar". Folha da Manhã, Porto Alegre, 13 fev. 1980, p. 17. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

“Rock-discurso” de Eduardo San Martin com Bebeco Garcia (guitarra) no lançamento de seu livro, “O círculo do suicida”, cenário de Elena Quintana com painel produzido por Magliani ao fundo, Bar Ocidente, Porto Alegre, 1981. Foto: Luiz Eduardo Achutti.

1981

Exposições individuais

Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, Piracicaba, SP.

Galeria de Arte do Centro Comercial, Porto Alegre. A mostra inclui as séries Pin-up, Encontros numa esquina e Retratos falados.

Exposições coletivas

Desenhos, Galeria Suzanna Sassoun, São Paulo. Expõe com Silvio Dworecki, Rubens Matuck e Marcio Périgo, texto de apresentação de Renina Katz.

Mostra de desenho e gravura do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea do Paraná.

1º Salão de Arte de Santa Maria, Universidade Federal de Santa Maria, RS. Recebe o segundo prêmio em desenho.

II Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, Paço das Artes, São Paulo.

A evolução notável da obra da artista tem seu ponto forte na coerência. Crítica mordaz e quase candente da situação da mulher e da sociedade de consumo, seu trabalho tem a força das verdades inteiras e seu expressionismo é filho direto do realismo. Afinal, a decadência e a hipocrisia não são belezas. O desenho, especialmente nos trabalhos com lápis de cor, tem traços tão violentos que parecem resultado de um processo de raiva, sem perder a intencionalidade que caracteriza certos poemas de Garcia Lorca.

Luiz Inácio Medeiros, 1981

1982

Ilustração para texto de Inês Castilho, A dança do prazer e da morte, jornal Mulherio, Fundação Carlos Chagas, São Paulo, ano 2, n. 6, mar./abr. 1982. Acervo Biblioteca Ana Maria Poppovic/Fundação Carlos Chagas

A partir desse ano, até 1984, ministra aulas particulares de pintura em São Paulo.

Realiza ilustrações para o jornal Mulherio, criado pelas pesquisadoras Fúlvia Rosemberg e Adélia Borges, da Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, ambas envolvidas com estudos sobre a condição feminina no Brasil.

Exposição individual

Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, Piracicaba, SP.

Exposições coletivas

1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, Fundação Bienal, São Paulo.

Casa das Artes Plásticas, Campinas, SP.

Luiz Inácio Medeiros. Força e Coerência. Correio do Povo, Porto Alegre, 29 nov. 1981. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

1983

Exposições individuais

"Magliani", Sala de Exposições da Universidade Federal de Santa Maria, RS, curadoria Renato Rosa.

"Desenhos", Galeria de Arte do Centro de Estudos Brasileiros, Embaixada do Brasil em Assunção, Paraguai, com texto de apresentação de Lívio Abramo.

Uma arte vigorosa, espontânea, agressiva e sem concessões – uma arte que evita a beleza em seu sentido clássico e aspira a retratar as "verdades ocultas" do ser humano, sejam elas compreensíveis ou detestáveis – é a arte de Maria Lídia dos Santos Magliani, Lídia Magliani, como ela prefere ser chamada.

Livio Abramo, c.1983

Grana como sempre pouca. Vendi inesperadamente quase 400 mil em Sampa, mas sei lá quando vou receber alguma coisa. O que tem entrado fica reinvestido em material e fotos, muitas fotos coloridíssimas para as pastas que Cho tá organizando. Ele já catalogou 418 trabalhos e fotografou quase todos. Tá lindo – tenho uma obra – mas é muito esquisito assistir anos de pinceladas olhando para minha cara.

Magliani, 1983

Exposições coletivas

"Do Passado ao Presente: as artes plásticas no Rio Grande do Sul", Cambona Centro de Artes, Porto Alegre.

"As cores do Grêmio", Galeria do Clube do Comércio, Porto Alegre.

XXXVI Salão de Artes Plásticas de Pernambuco.

Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

6° Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

"Arte na Rua", projeto de Luciana Brito e Mônica Nador para o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo em que artistas produzem outdoors espalhados pela cidade, em programação paralela à Bienal Internacional de São Paulo. Magliani pinta diretamente nas folhas de papel com tinta acrílica.

Em dezembro, a convite de Angélica de Moraes, participa de iniciativa semelhante promovida pelo Grupo RBS, em Porto Alegre.

Livio Abramo. Ultima Hora, Assunção, Paraguai, [1983], Suplemento Femenino. Acervo documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS.

Carta de Magliani para Caio Fernando Abreu, São Paulo, 04 nov. 1983. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

Magliani, Angélica de Moraes e Tina Zappoli junto ao outdoor de São Paulo, 1983. Acervo Galeria Tina Zappoli
O outdoor em Porto Alegre, 1984. Acervo Núcleo Magliani

1984

Em 1984, a Pinacoteca do Estado de São Paulo recebe, por doação da artista, uma pintura e um desenho, que se tornam as primeiras obras de Maria Lídia Magliani a integrar uma coleção pública paulista.

Exposições individuais

Pinturas recentes, Galeria Tina Presser, Porto Alegre. Na ocasião, é exibido o curta-metragem em super-8 Anotações para uma história, de Tuio Becker, sobre o trabalho da artista.

"Magliani", Galeria Municipal de Arte, Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Pelotas, RS.

Exposições coletivas

7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

"Viva Pelotas Ano II", exposição comemorativa ao aniversário da cidade, Galeria Masson, Pelotas, RS.

1985

Modelo 19, da série Anotações - Figuras, 1983. Técnica mista sobre papel. 70 x 100 cm. Acervo Estudio Dezenove, Rio de Janeiro

Ministra aulas de Desenho na Faculdade de Artes Santa Marcelina, em São Paulo.

Minha "biblia" pra pintura, além do livro de técnica do Edson Motta é "O escritor e seus fantasmas", do [Ernesto] Sábato. Minhas alunas não entenderam nada até agora; não conseguem sacar porque mandei que lessem. Um dia darás uma conferência a respeito, talvez elas te entendam melhor que a mim.

Magliani, 1986

Dilacerada e trágica, a arte de Magliani discute as relações humanas e suas dificuldades. O universo de sua pintura é a multidão anônima das ruas, onde flagra as expressões e decepções das pessoas que trafegam no limite entre a submissão e a resistência. Mas também pode ser a cena contida entre quatro paredes, os impasses da afetividade onde, observa ela, "os homens nunca se despem, nunca se entregam".

Angélica de Moraes, 1985

Exposições coletivas

"Grupo Gaúcho: pintura", Galeria Alberto Bonfiglioli, São Paulo, texto de Angélica de Moraes.

"Pinacoteca anos 80", Pinacoteca do Estado de São Paulo.

XVIII Bienal Internacional de São Paulo – Núcleo Expressionismo no Brasil: Heranças e Afinidades, curadoria de Stella Teixeira de Barros e Ivo Mesquita.

Carta de Magliani para Caio Fernando Abreu, São Paulo, 25 mar. 1986. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

Angélica de Moraes, catálogo da exposição coletiva "Grupo Gaúcho: pintura", Galeria Alberto Bonfiglioli, São Paulo, 1985.

1986

Exposições coletivas

1ª Bienal Latino Americana de Arte sobre Papel, Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, Argentina.

Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Participa com pinturas da série Discussões com Deus, retratando travestis da noite paulistana.

A forma de racismo que sofro de modo mais contundente (não agora, desde muito, muito tempo), além das domésticas e cotidianas é a que parte do princípio de que sendo negra, sou "naturalmente" incapaz de gerir minha vida, meu trabalho, minhas ideias e, portanto, "preciso ser protegida". Dirigida. Uma forma de racismo que se avoluma na medida em que os negros começam a tomar posições consideradas em princípio destinadas aos brancos. E que vai evoluir para um estágio mais agressivo quando os negros se tornarem economicamente ameaçadores para os brancos.

Magliani, 1986

1987

Cartaz da exposição Auto-retrato dentro da jaula, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1987. Acervo Renato Rosa

Exposições individuais

"Auto-retrato dentro da jaula", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. A mostra, de caráter retrospectivo, marca os 20 anos de carreira de Maria Lídia Magliani. Curadoria de Cho Dorneles que, desde 1982, vinha catalogando o trabalho da artista.

Pinturas e desenhos, Galeria Tina Presser, Porto Alegre.

Pinturas e desenhos, Espaço Capital, Brasília.

Pinturas e desenhos, Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo, onde são incluídas esculturas em papel machê.

“Magliani: Discussão com Deus”, Galeria Van Gogh, Hotel Manta, Pelotas, RS.

O olho da pintora é nervoso, a obra fricciona a emoção, os medos, os pudores. É, sim, uma obra despudorada e destemida. Não teme, ao menos que lhe digam: não gosto. Não precisa que gostem. Precisa que a fatura da tela solape a máscara e que o espectador – ele também – deixe cair a sua e se veja vendo a tela, isto é, aprecie o espetáculo de si mesmo sem máscara.

Evelyn Ioschpe, 1987

O que me interessa no trabalho atual é a descoberta constante das possibilidades da pintura e seus diversos meios e materiais, induzindo a novos modos de perceber dentro e fora do quadro; a investigação, a reinvenção das formas e das cores. Meu trabalho é duvidar e começar de novo, fazer e desfazer à imagem e semelhança das minhas indagações e descobertas, aprender/apreender, procurar o meu alfabeto dentro desta linguagem.

Magliani, 1987

Exposições coletivas

"Connections Project/Conexus", organizada por Josely Carvalho e Sabra Moore, com texto de apresentação de Lucy Lippard, Museum of Contemporary Hispanic Art, Nova York, EUA.

Panorama da Arte Atual Brasileira – Arte sobre Papel, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Magliani em entrevista concedida a Tina Zappoli. Zero Hora, Porto Alegre, 8 mar. 1986, p. 9. Acervo Galeria Tina Zappoli.

Evelyn Ioschpe, "Auto-retrato dentro da jaula", folder da exposição no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1987. Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS.

Folder da exposição de pinturas e desenhos, março de 1987. Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS.

1988

Exposições coletivas

"A Mão Afro-Brasileira", Museu de Arte Moderna de São Paulo. Projeto de Emanoel Araujo, que faz um levantamento nacional da produção dos artistas afrodescendentes.

"10 Artistas Riograndenses", Museu de Arte Contemporânea, Montevidéu, Uruguai.

1989

Deixa São Paulo e passa a morar em Tiradentes, Minas Gerais, em busca de um lugar mais tranquilo para trabalhar. Até 1996, reside em três diferentes endereços na cidade.

Em 12 de julho, falece sua mãe, Eugênia dos Santos Magliani.

Ministra um curso de desenho no Centro de Cultura e Arte da Universidade Federal de Sergipe, em Aracaju.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo adquire três desenhos da artista, enquanto o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo incorpora um de seus desenhos ao acervo.

Exposições coletivas

1º Encontro Latino-Americano de Artes Plásticas, Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

"Tina Zappoli visita Saramenha", Galeria Saramenha, Rio de Janeiro.

"Cada cabeça uma sentença", Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora, MG.

"Connections Project/Conexus", Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo.

"Arte Sul 89", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

"Introspectives: Contemporary Art by Americans and Brazilians of African Descent", organizada por Henry J. Drewal e David C. Driskell, California African American Museum, Los Angeles; Bronx Museum of the Arts, Nova York, EUA, e outros. Exposição itinerante.

Exposição individual

"Magliani", Galeria Municipal de Arte, Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Pelotas, RS.

Meus amigos me perguntam por que não pinto negros e eu respondo que eu os pinto a cores, na cor de pessoa nenhuma, não cor racial, mas cor. Não uma mulher africana, nem uma mulher brasileira, mas a mulher. [...] Alguns negros me criticam dizendo que meu trabalho não é de preto, mas eu não sei como é pintar negramente. [...] A soma de tudo o que sou está no meu trabalho e é isso que eu quero mostrar.

Magliani, 1989

Ontem vi uma foto de Tiradentes na revista Corpo a Corpo, uma vista geral, e fiquei pensando em qual dos morrinhos você moraria. Pois há de ser, certamente, num morrinho, acertei? E morrinhos e morrinhos a perder de vista no horizonte. Inveja. Inveja do bem, saudável, por você ter cortado os laços com o urbano. Cortou? Eu continuo atado.

Caio Fernando Abreu, 1990

1990

Em Tiradentes, aproxima-se dos artistas locais e participa da fundação do Grupo LOA – Largo do Ó Arte.

Exposição individual

""em Gerais", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

em Gerais – não apenas estar aqui, entre montanhas. Mas todos os temas, todas as terras, pessoas, paisagens. Todos os possíveis silêncios, espaços e passos nas pedras gastas por tantos outros apaixonados passos. E cores: branco e azul, adobe, terra, verde, telha, cinza, tijolo e sombras.

O que me interessa no trabalho atual é a descoberta constante das possibilidades da pintura e seus diversos meios e materiais, induzindo a novos modos de perceber dentro e fora do quadro; a investigação, a reinvenção das formas e das cores. Meu trabalho é duvidar e começar de novo, fazer e desfazer à imagem e semelhança das minhas indagações e descobertas, aprender/apreender, procurar o meu alfabeto dentro desta linguagem.

Magliani, 1987

Junto o texto que escrevi, uma espécie de depoimento de minha permanência até agora nesta aldeia um pouco fora do mundo (não tanto quanto eu gostaria e preciso). Ainda é uma visão romântica, deslumbrada e sentimental, mas é o exato estado em que as coisas se encontram. Ainda preciso viver mais isto e mais coisas para descobrir uma visão mais sintética e essencial.

Magliani, 1990

Exposições coletivas

"Figurativismo/Abstracionismo: o vermelho na pintura brasileira", organização Itaú Cultural, inclui apresentação de Rubem Valentim. Exposição itinerante: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Campinas..

"Homenagem a Van Gogh", Galeria Van Gogh, Pelotas, RS.

"Artistas do Grupo LOA", Tiradentes, MG.

Carta de Caio Fernando Abreu a Magliani, 10 jan. 1990. Em: Caio Fernando Abreu, Cartas, org. Italo Moriconi, editora HB, 2016, p. 141.

Mostra afro-americana leva Magliani aos EUA. Zero Hora, Porto Alegre, 29 abr. 1989, Guia Zero Hora, p. 6. Centro de Documentação e Informação, jornal Zero Hora.

Folder da exposição individual "em Gerais", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, 1990. Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS.

Carta de Magliani para Marinho Neto, Tiradentes, MG, 7 nov. 1990. Acervo Galeria Tina Zappoli.

Fundação da LOA - Largo do Ó Arte - da esquerda para a direita: Marcelo Raizeiro, Luciano Maurício, Lyria Palombini, Marcio Botner, Fátima Moura, Maria José Boaventura, João Quaglia, Ligia Velasco, Magliani, Fernando Pitta, Valin Branco e Matheus Rocha Pitta. Acervo Núcleo Magliani
Objeto em papel machê com padronagens originárias do Brasil, produzido na década de 1990. Foto Galeria Tina Zappoli
Sem título, da série em Gerais, 1990. Técnica mista sobre papel. 36,5 x 50 cm. Coleção Alexandre Zopff - MS

1991

Exposições coletivas

"Mulher & Imagem", alusiva ao Dia Internacional da Mulher, Agência de Arte, Porto Alegre. Sala especial.

Galeria Firenze, Pelotas, RS e Espaço Oficina, Rio Grande, RS.

1992

Emanoel Araújo assume a direção da Pinacoteca do Estado de São Paulo e incorpora obras de Magliani ao acervo da instituição, contribuindo para ampliar sua diversidade e representatividade.

Exposições coletivas

"A Arte Brasileira da Academia à Contemporaneidade", Pinacoteca do Estado de São Paulo.

"Mulheres artistas da Pinacoteca", Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Exposição conjunta

"Magliani e Maria Tomaselli – Salas Especiais”, Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

1993

Exposição coletiva

Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Recebe menção honrosa.

1994

Participa, em São Paulo, de uma festa de despedida organizada por amigos próximos de Caio Fernando Abreu, que retorna a Porto Alegre para morar com os pais em razão de problemas de saúde.

Doa uma pintura ao Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, em Pelotas, sua cidade natal.

1995

Capa do livro de Caio Fernando Abreu com ilustração de Magliani, Inventário do ir-remediável, Porto Alegre, Sulina, 1995.

A pedido de Caio Fernando Abreu, cede uma ilustração produzida em 1982, mas não utilizada à época, para a capa da segunda edição de seu livro Inventário do ir-remediável, publicada pela Editora Sulina, em Porto Alegre.

“ Adorei receber o Inventário e ver finalmente concretizada nossa parceria. Ainda sonho com a continuação dela com uma ilustração para cada conto futuro. Recebi ontem, ainda não comecei a reler. A mudança no título é ótima e, por si, um conto. O outdoor rosa é mais uma das ironias que tenho enfrentado com muitíssimo bom humor. “

Magliani, 1995

Exposições coletivas

"Novas doações", Pinacoteca do Estado de São Paulo.

"Organismos", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

46º Salão de Abril, Ideal Clube, Fortaleza. Participa como artista convidada.

"Arte beneficente", obras doadas por artistas para arrecadar fundos para o Instituto Espírita Dias da Cruz, Espaço Cultural Encol, Porto Alegre.

Carta para Caio Fernando Abreu, Tiradentes, MG, 29 nov. 1995. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

1996

Ao final do ano, volta a residir em São Paulo, retoma a atividade de ilustradora e passa a colaborar com o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo.

Em 25 de fevereiro, Caio Fernando Abreu falece, aos 47 anos, em Porto Alegre.

Contribui com o texto Não quero ser fatiada para o livro Nós, os afro-gaúchos, coordenado por Euzébio Assumpção e Mário Maestri e publicado pela Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Ministra oficina de desenho de modelo vivo para artistas na Casa das Artes Plásticas de Piracicaba, SP.

Estou desmontando a casa, me livrando de excessos, encaixotando vidas passadas, levando tudo para um pequeníssimo ap. no pé do morro onde ficará guardado até que eu encontre um pouso em S. Paulo. Estou terminando pinturas, desenhos, potes, esculturas para mandar tudo para Porto Alegre. Cancelei todas as festividades e exposições comemorativas dos 30 anos de carreira e vou começar tudo de novo. 30 anos deve ser uma boa idade para renascer.

Magliani, 1995

Descendo de negros e brancos: africanos, espanhóis, alemães e italianos. Não sou afro-gaúcha, íbero-gaúcha, teuto-gaúcha ou ítalo-gaúcha. Sou brasileira, nascida no Rio Grande do Sul. Isto é o bastante. Não quero escolher uma raça em função da cor da minha pele. Não quero ser fatiada, dividida em porções, me aceito como soma.

Magliani, 1996

Exposição coletiva

""Natureza humana", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

Carta de Magliani para Caio Fernando Abreu, Tiradentes, MG, 29 nov. 1995. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

Magliani em: Euzébio Assumpção e Mário Maestri (coord.), Nós, os afro-gaúchos, Porto Alegre, Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1996, p. 100. Acervo Kailã Isaias.

Autorretrato, 1998. Tinta acrílica sobre papel. 44 x 31 cm. Col. Flavio Xavier, Porto Alegre
Magliani no Rio de Janeiro, c.1997. Acervo Núcleo Magliani

1997

Passa a residir no Rio de Janeiro, na Rua Joaquim Silva, bairro da Lapa.

Exposição coletiva

"Permanência", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

1998

Cria os figurinos para a peça “O sapateiro do rei”, do Grupo Entrevista, apresentada no Centro Cultural Yves Alves, em Tiradentes, MG.

Realiza ilustrações para a revista Tempo e Presença, no Rio de Janeiro.

Ministra um curso básico de papel machê na Escola Abaporu, em Belo Horizonte.

Exposições coletivas

"5º e 6º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro. Evento pioneiro na abertura dos ateliês de artistas ao público.

2º Festival de Inverno de Santa Teresa – O Rio sobe de novo a ladeira, Rio de Janeiro.

"Em torno do figurativo", Galeria SESC Copacabana, Rio de Janeiro.

"Arte Erótica", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

"Brazilian Artists from Rio Grande do Sul", Embaixada do Brasil, Haia, Holanda.

Exposição conjunta

"Magliani e Maria José Boaventura, Universidade Federal de Viçosa, MG.

1999

Passa a residir em Porto Alegre, na Rua Duque de Caxias, 1623, no Centro Histórico.

Ministra um curso básico de papel machê no ateliê da artista Lou Borghetti e uma oficina de pintura sobre papel no Atelier Estággio, ambos na cidade.

Realiza a ilustração da capa de A torta de girassol, de Rosângela Mello, publicado pela Editora da UFRGS.

Exposições coletivas

7º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

"Arquétipos – a próxima ceia", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

2000

Em junho, volta a morar no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa. Passa a utilizar o Estúdio Dezenove como espaço de trabalho, ao lado de Ivana Curi, Julio Castro, Paula Erber e Robson Camilo, onde produz pinturas, desenhos, esculturas e objetos em papel machê.

Ministra oficinas de pintura sobre papel no Atelier Livre da Prefeitura, no Atelier Estággio e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Exposição individual

"Apotropaico”, exposição individual, Galeria Gestual, Porto Alegre.

Exposições coletivas

10º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

"Entre séculos", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

Magliani, Ivana Curi, Julio Castro e Paula Erber, Galeria Arte Sumária, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

2001

Exposições coletivas

11º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

"22 artistas do Dicionário de Artes Plásticas", mostra para o lançamento do Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul, de Renato Rosa e Decio Presser, Pinacoteca do Estado de São Paulo.

"14 na Rua", quatorze artistas convidados pelo Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal de Pelotas, RS, apresentam sua produção tendo como suporte outdoors espalhados pela cidade.

Exposição individual

"Auto retrato", Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

Magliani no Estudio Dezenove, 2001. Acervo Núcleo Magliani
Magliani no Estudio Dezenove, 2001. Acervo Núcleo Magliani

2002

Magliani em Paris, 2002. Foto Julio Castro. Acervo Núcleo Magliani

Em maio, viaja a Paris, acompanhada por artistas participantes do intercâmbio com os Ateliers d’Artistes de Belleville. É sua primeira viagem à Europa.

Exposição coletiva

12º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

2003

Julio Castro, Paula Erber e Magliani, 2003. Acervo Núcleo Magliani

Participa da fundação da Chave Mestra – Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa, que passa a organizar o evento Arte de Portas Abertas, no Rio de Janeiro.

Integra o Projeto Jovens Aprendizes, promovido pelo Arte de Portas Abertas, orientando uma oficina de artes plásticas para adolescentes do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

Exposições coletivas

"300 anos de janela", série de intervenções coletivas na Rua Direita, Tiradentes, MG.

“Uma janela para o Brasil”, Portes Ouvertes des Ateliers d'Artistes de Belleville, Paris.

13º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Exposição individual

"Retratos de ninguém", Projeto Vitrine Efêmera, Estudio Dezenove, Rio de Janeiro.

2004

Exposição coletiva

"A Chave Mestra mostra a sua cara", mostra de autorretratos no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Exposição individual

"Trabalho manual", homenageada na 14ª edição do evento Arte de Portas Abertas, texto de apresentação de Denise Mattar, Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Denise Mattar, Magliani e Jorge Salomão na abertura de “Trabalho Manual”, 2004. Foto Carlos Magno. Acervo Núcleo Magliani
Magliani no Estudio Dezenove, com seu autorretrato, 2008. Acervo Núcleo Magliani
Autorretrato com as duas orelhas, 2004. Tinta acrílica sobre compensado de madeira. 42 x 68 cm. Col. particular, Porto Alegre

2005

Em janeiro, passa a residir em São Paulo, na Rua Paim, 402, na região central da cidade. Um incêndio destrói seu arquivo de correspondências trocadas com Caio Fernando Abreu e outros amigos.

Ministra uma oficina de papel machê durante o ciclo coordenado por Julio Castro para o Festival de Inverno do SESC Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

Exposição individual

Garagem de Arte Stockinger, Porto Alegre.

Exposição coletiva

"Zona oculta", CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Rio de Janeiro.

Carta de Magliani para Julio Castro, Porto Alegre, 22 nov. 2005. Acervo Núcleo Magliani.

Depoimento da artista cedido ao CEDIM/RJ. Acervo Núcleo Magliani.

Foi muito bom ver tantas pessoas no vernissage, passear pelo Bom Fim, comer nos novos japoneses, a picanha do Barranco, o pão cervejinha no Bauru do Joe’s com a melhor mostarda do mundo, o perfume dos pêssegos nas bancas bem arrumadas, lojas antigas no mesmo lugar. Um Moinhos de Vento que põe a Oscar Freire no chinelo, velhos muito lúcidos, tantos olhos azuis. Mas o melhor mesmo foi a festa dos jacarandás floridos.

Magliani, 2005

A série Alfabeto é fruto da necessidade de obter uma sensação de movimento na superfície da tela usando apenas uma forma repetida diversas vezes. A figura escolhida foi a que me surgiu como a mais passível de mostrar vários comportamentos sem perder a identidade. Por ser uma forma extremamente maleável sugere um conjunto de símbolos, possíveis fundadores de uma escrita; uma leitura a mais para um objeto já pleno de conotações

Magliani, 2005

2006

Passa a residir na Praia do Peró, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Em dezembro, volta a morar na cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros da Lapa e Santa Teresa.

Realiza a ilustração da capa de Escoliose – um estudo tridimensional, de René Pedriole, publicado pela Editora Summus, em São Paulo.

Exposição coletiva

16º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

2007

Magliani, Série Um de Todos, 2004. Foto Renan Cepeda

Exposições coletivas

"A gaveta do artista", Galeria Mauá da Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa – Chave Mestra, Rio de Janeiro.

17º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

"Portas Abertas em Trânsito", SESC Nova Friburgo, RJ.

"Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul – 10 anos", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

2008

Viaja a Paris para participar de um intercâmbio entre a Associação Chave Mestra e os Ateliers d'Artistes de Belleville.

Doa seis pinturas da série Um de todos (2003) à Pinacoteca Aldo Locatelli, da Prefeitura de Porto Alegre, tornando-se, pela primeira vez, representada em um acervo público municipal.

A Fundação Vera Chaves Barcellos, de Viamão (RS), adquire sua primeira obra da artista.

Ministra uma oficina no contexto da Semana do Desenho, realizada no Ateliê Livre da Prefeitura de Porto Alegre.

Exposição individual

Paço Municipal de Porto Alegre.

Exposições coletivas

18º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

"1978 – O MARGS em sua nova sede", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

2009

Com a aquisição de uma prensa, suas gravuras em metal e xilogravuras passam a ser impressas no Estudio Dezenove, por Julio Castro, que se torna seu impressor.

A xilogravura é uma influência direta no meu trabalho e Goeldi talvez seja uma influência maior do que todos os pintores que admiro.

Magliani, 2001

“Fui condenada ao núcleo histórico” (entrevista concedida a Eduardo Veras). Zero Hora, Porto Alegre, 26 de maio de 2001, Caderno de Cultura, p. 3. Acervo Documental do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

Exposição individual

19º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Bailado, 2009. Xilogravura. ø 25,5 cm. Acervo Estudio Dezenove, Rio de Janeiro
Magliani preparando a matriz da xilogravura "Bailado", 2009. Foto Júlio Ferretti. Acervo Núcleo Magliani
Magliani no Estudio Dezenove, 2009. Foto Julio Castro. Acervo Núcleo Magliani

2010

Exposição individual

Pinturas, gravuras e recortes, Casa da Gravura, Porto Alegre.

Exposição coletiva

20º Arte de Portas Abertas, Circuito de Ateliês, Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Depois de tanto tempo de trabalho e de tantas mudanças, todas as influências estão tão misturadas que não há mais sentido em identificá-las. No momento eu digo que tanto Van Gogh quanto Google.

Magliani, 2010

2011

Duas de suas obras passam a integrar a coleção inicial do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador.

Exposição individual

"My Baby Just Cares for Me", Museu Imaginário, Bruxelas, Bélgica. Mostra organizada por Julio Castro, que levou os artistas do Estudio Dezenove e alguns coletivos cariocas para ações de arte urbana em Bruxelas no mesmo período da Europalia Brasil.

Exposições coletivas

"Fábrica de fábulas", curadoria de Osvaldo Carvalho, SESC Ramos, Rio de Janeiro.

"O museu sensível: uma visão da obra de artistas mulheres na coleção do MARGS", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Entrevista concedida a Michele Rolim, Jornal do Comércio, Porto Alegre, nov. 2010. Acervo Núcleo Magliani.

Montagem da exposição "My Baby Just Cares for Me", Museu Imaginário, Bruxelas, 2011. Acervo Núcleo Magiani

2012

Em novembro, é entrevistada por Viviane Gueller, em Porto Alegre. Esta é a última entrevista conhecida da artista, publicada posteriormente, em 2022, no contexto da exposição Magliani, na Fundação Iberê.

Exposição individual

"Procura-se", reunindo sua produção mais recente, em preto e branco, com texto de apresentação de Rubens Pileggi Sá, Estudio Dezenove, Rio de Janeiro.

Exposições coletivas

"Um de todos", obras das Pinacotecas Aldo Locatelli e Ruben Berta, Paço Municipal de Porto Alegre.

"O triunfo do contemporâneo: 20 anos do Museu de Arte Contemporâneo do Rio Grande do Sul", Santander Cultural, Porto Alegre.

"Cromomuseu: pós-pictorialismo no contexto museológico", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

"Da miudeza ao desenho espacial", exposição do acervo de Renato Rosa, Sala da Fonte, Paço Municipal de Porto Alegre.

Exposição conjunta

"Experiência múltipla", com Julio Castro, Casa da Gravura, Porto Alegre. Trata-se da última exposição de Magliani em vida.

Rubens Pileggi Sá, folder da exposição "Procura-se", Estudio Dezenove, Rio de Janeiro, 2012. Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS.

Carta de Magliani para Caio Fernando Abreu, Tiradentes, MG, 21 mar. 1992. Acervo Caio Fernando Abreu/Delfos/PUCRS.

Em decorrência de uma parada cardíaca, Maria Lídia Magliani falece em 21 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, onde também é sepultada.

Exposições póstumas

Procura-se, 2012

Álbum composto de 8 xilogravuras

35 x 25,5 cm cada

Cortesia Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre e Estudio Dezenove, Rio de Janeiro.

Acervo Estudio Dezenove

Exposição PROCURA-SE de Magliani, Rio de Janeiro, 2012. Acervo Estudio Dezenove
O Estudio Dezenove e sua "Vitrine Efêmera" com intervenção de Magliani, Rio de Janeiro, 2012. Acervo Estudio Dezenove

Magliani, ao trocar o rosto de ninguém por um bule amassado, por um pano enrolado, ou outra coisa qualquer, nos faz pensar sobre a condição imposta não mais ao tolo, ao imbecil, mas a todos nós. Pois há em todos nós o dilema que é o de não ter como fugir e, ao mesmo tempo, não poder deixar de correr. [...] Somos perseguidos pelo fim, mas só podemos perceber isso por uma relação de sensações de proximidade e distância e nunca pela real efetivação de tal encontro. Talvez, por isso, o título dado por Magliani a esta série: Procura-se.

Rubens Pileggi Sá, 2012

“E fico numa ansiedade de por no papel, na tela, tudo o que vai brotando na cabeça enquanto trabalho, todas as imagens, cores e relações. Como se não fosse haver (e não há) vida suficiente pra explicitar todo este mundo interno. E fico achando que perdi tempo demais com outros detalhes da vida, que era preciso ter pintado mais e mais ainda.”

Magliani, 1992

2013

O Estudio Dezenove passa a ser o centro de referência da obra de Magliani, dando início à pesquisa e ao levantamento de sua produção.

O Museu Afro Brasil, de São Paulo, adquire dez trabalhos da série Cartas, apresentados em uma sala especial em paralelo à exposição A Nova Mão Afro-Brasileira. Considerando também as obras em comodato, o museu passa a preservar 16 trabalhos de Magliani em seu acervo.

Magliani: A Solidão do Corpo, mostra individual em homenagem à artista, com curadoria do marchand Renato Rosa, reúne, no Paço Municipal de Porto Alegre, obras provenientes de coleções públicas e privadas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. O catálogo, que reúne textos e depoimentos de diversos autores, é o primeiro dedicado à obra de Maria Lídia Magliani.

2014

Exposições coletivas

"O cânone pobre: uma arqueologia da precariedade na arte", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

"Vontade: para tudo na vida", em homenagem aos 20 anos do Museu de Arte Contemporânea do RS, Hospital de Clínicas, Porto Alegre.

"Vestígios do corpo: obras de figura humana no acervo do MARGS", Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

2015

Exposição individual

“Em tempo: Magliani e eu”, ilustrações sobre a ditadura militar no Brasil guardadas por 40 anos pelo colega de redação Omar L. de Barros Filho, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Exposições coletivas

"Territórios: artistas afrodescendentes no acervo da Pinacoteca", Pinacoteca do Estado de São Paulo. Maria Lídia Magliani e Rosana Paulino são as duas únicas artistas negras com obras no acervo da Pinacoteca e expostas nessa mostra.

"Era só saudade dos que partiram", curadoria de Emanoel Araujo, Museu Afro Brasil, São Paulo.

2016

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul promove uma palestra sobre a obra de Magliani, com participação de Julio Castro, coordenador do Núcleo Magliani, e Tina Zappoli, galerista. O evento integra a programação do museu para a Semana da Consciência Negra.

“A vida e o ofício foram compartilhados entre o que os acolheu e o que ampliou espaços em suas obras. Seus recados e suas ideias ainda pulsam além do tempo. Agora, trocamos olhares. E um abismo de luzes se abre acima de nós e se revela em seus traços e pinceladas. A saudade se funde em azul-violeta, amarelos e vermelhos, transcedentais e profundos.”

Maria José Boaventura, 2016

Exposições coletivas

"Evocações. Doze artistas mulheres e as múltiplas linguagens criativas", curadoria de Emanoel Araujo, Museu Afro Brasil, São Paulo.

"Para matar a saudade", exposição organizada por Maria José Boaventura em homenagem à Magliani e a Fernando Pitta no Centro Cultural Yves Alves, Tiradentes, MG.

2017

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Jaguarão (RS), inaugura, nas dependências do campus, a Galeria Intercultural Magliani, com o propósito de fomentar a produção artística local e regional. O Núcleo Magliani apoia a iniciativa e cede um conjunto de gravuras da artista para a exposição inaugural, intitulada Magliani – Cartas e Impressões.

É inaugurada, no loteamento Bela Vista Sul, no bairro Campo Novo, zona sul de Porto Alegre, a Rua Maria Lídia Magliani.

Exposições coletivas

Coletiva de gravuras, organização do Estudio Dezenove, durante evento da associação Lézart de la Bievre, Paris, França.

"Outras Matrizes, Novas Poéticas", curadoria de Bruna Araújo e Michaela Blanc, Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro.

2018

O Museu de Arte do Rio, através de seu consultor, Paulo Herkenhoff, adquire do Núcleo Magliani seis pinturas da série Todos

Exposição individual

"Uma troca: teu olho, minha mão", exposição individual com curadoria de Julio Castro, produção do Estudio Dezenove e apoio cultural da Fundação Bienal do Mercosul, Espaço Multipalco Eva Sopher, Theatro São Pedro, Porto Alegre.

Exposição coletiva

"Isso é coisa de preto – 130 anos da abolição da escravidão", curadoria de Emanoel Araujo, que destaca a presença negra na arte, história e memória brasileiras, Museu Afro Brasil, São Paulo.

2019

Exposição individual

"Idioma-Imagem na gravura de Magliani", curadoria de Maristela Salvatori e Julio Castro, Galeria Maria Lucia Cattani, Prédio da Reitoria da UFRGS, Porto Alegre. Na ocasião, ocorre seminário sobre a obra de Magliani, reunindo Angélica de Moraes, Julio Castro e Neiva Bohns.

É realizada, na Pinacoteca Aldo Locatelli, a primeira exposição de uma série relacionada ao projeto “Mulheres nos Acervos”, das pesquisadoras Cristina Barros, Marina M. Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que busca mapear a presença de artistas mulheres nos cinco acervos públicos de Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Pinacoteca Aldo Locatelli e Pinacoteca Ruben Berta.

2020

Exposições coletivas

A Pinacoteca do Estado de São Paulo reformula a apresentação de seu acervo de arte brasileira e inclui duas pinturas de Maria Lídia Magliani.

"Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes", Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

"MAM na cidade", projeções de obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo em vários locais da cidade de São Paulo, no Dia Nacional da Consciência Negra.

2021

O Estudio Dezenove doa obras de Magliani ao Museu Murilo Mendes, em Juiz de Fora (MG), e ao Museu de Artes Visuais da Unicamp, em Campinas (SP).

O Museu de Artes Visuais da Unicamp promove a mesa virtual A Arte e Seus Caminhos de Acervamento, dedicada aos processos contemporâneos de representação de artistas nos acervos de instituições públicas.

A Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, inaugura o Espaço Maria Lídia Magliani e, no ano seguinte, adquire uma obra da artista.

2022

Exposição retrospectiva

"Magliani", com curadoria de Denise Mattar e Gustavo Possamai, reúne, na Fundação Iberê, em Porto Alegre, mais de 200 obras da artista, em dois andares da instituição.

Magliani é citada em artigo de Cecilia Fajardo-Hill, Radical Women: Latin American Art, 1960-1985 in retrospect and going forward, no Latin American and Latinx Visual Culture Journal, Volume 4.3 (no prelo), Universidade da Califórnia, EUA. Periódico dedicado a publicar as pesquisas internacionais mais atuais sobre a cultura visual do México, da América Central, da América do Sul e do Caribe, bem como aquelas criadas na diáspora.

“É dar o passo maior que a perna, porque dar o passo no limite dela não tem graça nenhuma. Meu negócio é a utopia.”