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Registros Japão-Brasil no Parque das Ruínas
O espaço onde hoje localiza-se o Parque das Ruínas abrigou a residência de Laurinda Santos Lôbo (1878/1946), mecenas que recebeu artistas de variadas procedências, agitando a vida cultural da cidade. Atualmente sob administração do Poder Municipal e através da iniciativa do Estudio Dezenove, espaço em Santa Teresa dedicado à arte contemporânea, recebe a visita dos artistas japoneses Kodai Hihara, Yuko Hihara, Fumiya Kawashima, Tamami Ichimura e Mio Warashina, que retribuem a ida, em 2019, dos cinco brasileiros Abigail Nunes, Davi Baltar, Deneir Martins, Julio Castro e Luiz Barba, participantes da 2ª Residência Artística promovida pelo Instituto de Artes e Estudos Culturais da Cidade de Ohtawara.
Como forma de integração entre essa residência artística dos brasileiros no Japão e a vinda dos japoneses ao Brasil, as imagens das atividades realizadas no Oriente serão exibidas na forma de um grande objeto que pende do teto, entrelaçando grandes bandeiras verticais à semelhança das “uma-jirushi”, usadas pelos samurais em suas campanhas, como podemos ver nos filmes do grande diretor Akira Kurosawa. As bandeiras usam imagens nas côres branca e preta, que remetem aos pólos Yin e Yang, que ao se interpenetrarem, mostram que em todo branco há o preto e em todo preto há o branco. É a ideia universal do “todos somos um”. Assim, as imagens de esculturas japonesas são mostradas entrelaçadas com obras em duas dimensões e imagens de obras em processo de elaboração estão ao lado daquelas já prontas, todas unidas pelo tecido.
Por fim, percebemos que não apenas o tecido é o fio condutor dessa narrativa, mas também cada elemento que, com seu esforço, contribuiu para que esse projeto fizesse presença nesse local, desde os artistas envolvidos, o Instituto de Artes e Estudos Culturais da Cidade de Ohtawara, o Estudio Dezenove e a Administração do Parque das Ruínas, que faz por manter o legado visionário de Laurinda Santos Lôbo.
